A palavra restrição carrega uma carga negativa grande. Isso é verdade. Mas quando a colocamos ao lado da palavra cigarro, acredito que ela se transforma… Passa a fazer parte daquelas ações que consideramos de discriminações afirmativas. Ou seja, que ao agir pela negação trazem resultados positivos para as pessoas e para a sociedade.
O Paraná está fazendo um grande debate na linha de construirmos ambientes coletivos 100% livres do tabaco e, mais importante é claro, dos efeitos causados à saúde das pessoas expostas aos cigarros. E este debate, pela sua importância e abrangência deve sim estar presente em todos os espaços possíveis, pois ele é um assunto que interessa a todos nós.
Vamos por partes: Em todo o Brasil temos milhares de vítimas de câncer no pulmão ou outras doenças causadas pelo hábito e vício de fumar. São muitas famílias todos os meses que choram perdas. E são cerca de R$ 380 milhões de reais que o Sistema de Saúde Pública gasta todo ano com tratamentos decorrentes do cigarro. Recursos que poderiam ser utilizados para melhorar a qualidade de vida de nossas crianças, por exemplo.
Além de prejudicar fumantes, o cigarro prejudica também não fumantes. Ou o que se convencionou chamar de fumantes passivos. Pessoas que apesar de não fumarem inalam a fumaça por estarem expostas a ela.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer, sete pessoas morrem todos os dias no Brasil vítimas de doenças ocasionadas pelo cigarro, apesar de não fumarem. Um exemplo disso é do garçom. Este profissional pode chegar a “fumar” dez cigarros por dia mesmo sem colocar qualquer um em sua boca.
Alguns setores contrários à limitação do fumo em lugares coletivos recorrem a argumentos que não encontram correspondência na realidade. Um deles, por exemplo, é de que esta limitação implicaria na redução de receita para os donos de estabelecimentos. As pessoas continuarão a frequentar bares e restaurantes. Apenas fumarão fora do local fechado, fumarão antes de entrar, ou depois de sair. O número de passageiros em ônibus ou aviões não diminuiu apesar de proibirem o cigarro, mesmo as viagens sendo longas. Tudo é uma questão de comportamento, de costume.
As medidas restritivas não buscam proteger apenas aos não fumantes. E isto é importante ficar claro. É uma ação de saúde pública, no melhor sentido, porque protege também e principalmente o fumante, fazendo com que ele reduza o seu próprio consumo. Além disso, é uma medida de prevenção, pois a maioria dos jovens aprende a fumar nos locais de circulação do cigarro. Se houver restrição, a exposição e incentivo ao fumo serão menores. Também é preciso lembrar dos dados divulgados pela Sociedade Paranaense de Psiquiatria: 90% dos dependentes de drogas ilegais começaram o vício com cigarro ou álcool.
A criação de fumódromos dentro dos estabelecimentos não é uma medida correta. Primeiro porque não impede a inalação da fumaça por todos, pois não é possível, tecnicamente, construir ambientes onde 100% da fumaça fique “presa”. E segundo, que exporia os fumantes a um ambiente concentrado onde aumentaria, em muito, os reflexos negativos do seu hábito de fumar.
Por essas razões, sou a favor aqui no Paraná, da lei que cria os ambientes coletivos livres do cigarro. O direito individual não pode sobrepor-se ao direito coletivo. Que sejamos um estado que diga sim à saúde e principalmente, diga sim à vida.
* Gleisi Hoffmann foi diretora financeira da Itaipu, é advogada e presidente estadual do Partido dos Trabalhadores.
Como ex-estudante da área da saúde, sei muito bem que a principal doença que maiores estragos vem causando a saúde publica vem sendo a diabetes, antes que o consumo do cigarro.
Eu me pergunto, porque não temos avisos escandalosos com fotos de pessoas sofrendo em quadros terminais, etiquetados em cada garrafa de coca-cola ou qualquer outro refrigerante que é exposto nas platileiras? Porque o refrigerante não é taxado, para que ele seja menos acessível economicamente? E em definitiva, porque o consumo de este tipo de bebidas e outros produtos alimentícios que circulam livremente no mercado e que são tão nocivos a saúde quanto ao cigarro não estão sendo proibidos por nosso “sobreprotetor” ministério da saúde pública?
Aclaro que não sou fumante. Mas não consigo concordar com as medidas que estão sendo tomadas, não contra o tabaco, mas contra o fumante em definitva; pois obviamente, controlar e impor sempre traz resultados mais imediatos que a disciplina e a educação. E eu não gostaria que esta tipo de atitudes -louváveis e incoerentes ao mesmo tempo- viessem a criar vicios nas nossas instituições democráticas.
— Paul 13/06/10, às 1:33 am