28/05/2008 — Artigos

Bicicleta é esquecida

por Roseli Isidoro

roseli.JPGA discussão sobre a proposta de rodízio de automóveis surge da preocupação relacionada com o trânsito em Curitiba, que apresenta acentuado grau de congestionamentos e já compromete a qualidade de vida e o meio ambiente da nossa cidade. Mesmo que nossa opinião, já divulgada tanto na Câmara Municipal como pela própria mídia, seja contrária ao rodízio, é oportuno que façamos uma reflexão não apenas sobre o ponto de vista de se adotar ou não este sistema em Curitiba, mas sobretudo com o objetivo de refletir sobre o planejamento urbano e as políticas de mobilidade adotadas pelo poder público municipal. A Prefeitura de Curitiba já demonstrou sua opção pelo automóvel através das medidas implantadas como a retirada de faixas de estacionamentos, a restrição ao uso de áreas de estacionamento em determinados horários, a abertura de ruas, a construção de binários e a falta de políticas que ampliem o direito de mobilidade urbana a todos, incluindo ciclistas, cadeirantes e pedestres.

Por estes motivos, há de se fazer um alerta sobre a necessidade do estabelecimento de uma política de planejamento urgente na área de mobilidade urbana. De 2006 a 2008, o Executivo enviou à Câmara Municipal um pedido de autorização para a abertura de crédito adicional especial da ordem de mais de R$ 10 milhões, destinado à reforma de terminais de transporte coletivo e adequação de estações-tubo. Na destinação desses recursos não está previsto nenhum tipo de investimento para a construção de bicicletários nos terminais de ônibus ou a implantação de ciclo-faixas – medidas que possibilitariam o uso da bicicleta, com segurança, como meio alternativo de transporte para o trabalho e estudo, não apenas para o lazer e esporte.

A Avenida Marechal Floriano, que está sendo revitalizada e, segundo a administração municipal, terá novas canaletas em concreto para ônibus, além de obras de drenagem, pavimentação de calçadas, iluminação e paisagismo, totalizando 5 quilômetros de reformas de ruas, também não tem nada previsto no que diz respeito à ampliação do direito à mobilidade urbana. Seria possível, por exemplo, a criação do primeiro trecho de ciclo-faixa de Curitiba em toda a sua extensão, assim como toda em toda a Linha Verde.

A ausência de previsão de medidas como essas demonstra que a Prefeitura de Curitiba, a curto e médio prazos, não optará por esse modal – a bicicleta – como um elemento a ser considerado para a implantação do conceito de mobilidade urbana sustentável. Acreditamos que a aplicação de medidas que garantam a oferta do transporte coletivo de qualidade, priorizando o aporte de recursos e investimentos; o incentivo a programas de carona solidária; a recuperação das calçadas e a realização de campanhas de humanização são ações urgentes a serem postas em prática na cidade – o que garantirá, ainda que de maneira lenta e gradativa, modificações significativas no sistema viário e na mobilidade do curitibano, temas que se mostram a cada dia mais complexos e onerosos.

Roseli Isidoro é vereadora pelo PT e organizou a sessão da Comissão de Urbanismo da Câmara de Curitiba que na semana passada discutiu a proposta de adoção do rodízio de veículos em Curitiba.

3 comentários em “Bicicleta é esquecida”

  1. Sou um Senhor de 62 anos. Tenho lido muito, especialmente obras dos cientistas ligado à ecologia. O mais genial: James Lovelock, em GAIA - CURA PARA UM PLANETA DOENTE, aponta os veículos movidos a combustível fóssil, como os maiores emissores dos gases de efeito estufa. Os automóveis a gasolina, ou mesmo a bio combustíveis, são altamente danosos. Ele aponta como solução dos transportes urbanos, os metrôs elétricos, bicicletas e pequenos veículos elétricos. Tudo isso, urgentemente. A Prefeitura de Paris, comprou centenas de milhares de bicicletas, que são emprestadas sem cobrar nada das pessoas. É um programa altamente recomendável, para começar uma virada nessas formas egoístas de transporte em automóveis, altamente poluentes. Sugiro à vereadora, pesquisar na Internet, como funciona o programa francês, para adaptarmos isso aqui. Esse seria um projeto fantástico que a Gleisi deveria abraçar, como mote de campanha. O adversário dela, que pretende continuar na Prefeitura, indiscutivelmente só se preocupa com as vias para automóveis. Preivilegia os egoístas, prejudicando cada vez mais o planeta. Temos que pensar no futuro, pois é lá que viverão nossos filhos e netos.

  2. O rodízio pode resolver por alguns anos o problema, mas não definitivamente. A incorporação da bicicleta como meio de mobilidade em Curitiba é essencial e urgente. Mas serão os usuários de carros os que usarão bicicletas?
    A solução definitiva deve se voltar para a geografia urbana, a distribuição das pessoas, seus locais de moradia e de trabalho. Nisso eu penso que os políticos deveriam suscitar mais os debates com os especialistas no assunto, técnicos e professores das universidades locais. Fomentar mais estudos a respeito nos cursos de mestrado.
    Eu trabalho no Jardim das Américas e escolhi há 10 anos morar no Boqueirão justamente para evitar as vias congestionadas. No meu caminho de casa para o trabalho eu corto transversalmente todas estas linhas, mas há alguns meses já enfrento congestionamento no Uberaba depois das 18h. Eu poderia usar o Inter 2, se não fosse a lotação excessiva nos horários de pico - sou sincero em dizer que nessa situação ainda opto pelo meu carro individual. Utilizo o ônibus eventualmente para voltar do trabalho quando posso pegá-lo antes das 18h. Eu poderia também usar a bicicleta (são cerca de 9 km), pois boa parte do percurso tem pista asfaltada na calçada (o que não é uma ciclopista, mas já serve), mas é quase certo que seria assaltado no início da manhã aqui nesta região.

  3. Comissão de Trabalho aprova projeto para entrega de mercadorias por meio de bicicletas
    Cidades brasileiras livres da poluição e ecologicamente corretas. Essas são as principais metas do Projeto de Lei (PL2771/2008), do deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), que regulamenta a atividade de entrega de mercadorias por meio de bicicleta. O texto foi aprovado por unanimidade, nesta quinta-feira (10/06), na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP), em Brasília. ” O projeto é de muito importância uma vez que usar a bicicleta combaterá a poluição e diminuirá o trânsito caótico. Além disso, é extremamente saudável para seu condutor”, justificou.

    Ele lembrou ainda que na Europa e em algumas cidades brasileiras a bicicleta já é usada como meio de transporte no dia a dia. ” Esse tipo de serviço é adequado tanto do ponto de vista social e ambiental”, ressaltou Ortiz. O texto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve analisar a proposta ainda este ano. (Assessoria do deputado)

    Fonte: PV

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