A imprensa nacional e local tem destacado, nas últimas semanas, dados sobre a escalada da violência em Curitiba e região metropolitana. Não é para menos.
A imprensa nacional e local tem destacado, nas últimas semanas, dados sobre a escalada da violência em Curitiba e região metropolitana. Não é para menos: a cidade é a 7ª em números absolutos de homicídios (874 crimes em 2006) e a região metropolitana está entre as dez mais violentas do País; o índice médio de homicídios na Grande Curitiba é de 38,1 a cada 100 mil habitantes; que salta entre os jovens com idades entre 15 e 29 anos para 76,2.
No artigo “Curitiba dá pena”, publicado na Folha de São Paulo, o colunista Gilberto Dimenstein, destaca que o avanço da violência em nossa cidade antagoniza com o sentimento de admiração das pessoas, curitibanos e turistas, pelas conquistas da cidade. Sintomática do clima de medo e apreensão que nos envolve, uma das alegações apresentadas pelo jogador Jancarlos, do Clube Atlético Paranaense, para sua transferência do clube: o risco de a violência atingir a sua família e o risco de sequestro de sua filha…
Os números apenas revelam o que temos percebido no cotidiano de nossa vida na cidade: a ineficiência e desconexão da rede de proteção ao cidadão o que torna Curitiba menos segura e mais violenta. A idéia de Curitiba como “cidade modelo”, “ecológica”, “da gente”, propagandeada pelas sucessivas administrações municipais dá lugar a verdade dolorida de que estamos perdendo a condição de “laboratório urbano da civilidade”, nas palavras do articulista.
E como os governos têm reagido a esta questão?
Há cerca de um ano o governo federal lançou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI) com o objetivo de combater a criminalidade à partir da articulação de políticas de segurança pública com ações sociais e do enfrentamento às causas da violência e não apenas às suas conseqüências. Estivemos no lançamento na cidade de Pinhais, coordenado pela ASSOMEC e pela Frente Parlamentar Metropalitana da Assembléia Legislativa do Paraná.
No âmbito estadual e desde a primeira gestão do governador Roberto Requião, foi implementado o Policiamento Ostensivo Volante (Projeto Povo), cujo objetivo é a aproximação da Polícia Militar com a comunidade e o atendimento mais rápido, eficiente e eficaz das ocorrências policiais.
A Prefeitura Municipal de Curitiba, três anos após o início da atual gestão e quase um após o lançamento do PRONASCI, anunciou a criação da Secretaria Antidrogas, que será comandada por Fernando Francischini, delegado da Polícia Federal, com o objetivo de trabalhar na prevenção, articular programas e gerir recursos repassados pelo Governo Federal à área da segurança através do PRONASCI. Sem recursos do orçamento do município, a pasta funcionará com dois servidores – o Secretário e o Superintendente, ambos cedidos à Prefeitura pelo Ministério da Justiça.
Então, se temos em funcionamento instrumentos de enfrentamento à violência, alguns tardios como é o caso desta Secretaria, por que ela continua crescendo?
A tese que temos apresentado não é, de forma alguma, surpreendente. Temos defendido, com base em experiências exitosas em cidades do Brasil e de outros países, que sem uma eficiente integração de políticas e programas públicos de atendimento ao cidadão não colheremos resultados que transformem o atual e preocupante quadro. Passo importante é o município reconhecer que, independentemente da divisão de obrigações constitucionais, é também sua a responsabilidade de contribuir para a melhoria da política de segurança pública. E isso por uma questão muito simples: é o Município o executor da grande maioria dos programas existentes de atendimento ao cidadão, nas áreas de saúde, educação, assistência social, meio ambiente, cultura, criança e adolescente e etc.
Neste viés, é a vontade política do executivo municipal que será testada, ou seja, a sua capacidade de superar divergências político-partidárias e o “chavão legalista” de que esta área é de única e exclusiva competência dos governos estadual e federal.
Os resultados positivos alcançados nas experiências municipais que procuram a interação entre políticas comprovam a eficácia dessa forma de combater a violência. Os números da violência diminuíram drasticamente em cidades como Diadema (SP) e, pasmem alguns, em Bogotá, na Colômbia, portanto, em realidades teoricamente bem mais complexas que a de Curitiba e região metropolitana.
Em seguida, é preciso otimizar a ação e a capacidade operacional e humana de todas as secretarias e órgãos municipais com as estruturas dos governos estadual e federal, de seus serviços de inteligência e repressão (PF, Polícias Civil e Militar, Secretaria de Segurança e outros), promovendo uma articulação efetiva. Que cada uma das áreas de atuação pública tenha sempre presente a preocupação de interagir com as outras. É possível criar fóruns de debate, relatos, avaliação e planejamento, para que isto ocorra com fluidez.
Neste sentido, a criação da Secretaria Antidrogas, é apenas um passo que o executivo municipal dá em direção ao enfrentamento da violência na cidade de Curitiba. O sucesso ou não de suas ações estará diretamente ligado a capacidade de execução das ações que apontamos acima. A bancada do PT, em nenhum momento menosprezará a sua existência, muito menos dificultará o seu funcionamento, mas é inegável que sua criação neste momento teve como maior motivação dar uma resposta à opinião pública que acompanha preocupada o aumento da violência em nossa cidade.
Os bons resultados da integração das políticas públicas e do aprimoramento da rede de proteção ao cidadão, que relatamos acima, só aparecerão no médio prazo, mas virão. A maturidade do atual Prefeito para suplantar as eventuais divergências será testada neste processo. Afinal de contas a população não pode pagar o preço por desavenças colhidas por ele com o Governador do Estado.
Pedro Paulo Costa, 40, professor, vereador e líder da bancada do PT na Câmara Municipal de Curitiba.
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Artigo publicado originalmente no site do vereador Pedro Paulo (ver site)
Boa Tarde a todos…
Realmente é lamentavel a situação de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba. Sou Paranaense, porém morei por vários anos em São Paulo, considerada por muitos Curitibanos, como exemplo de sugeira, desorganização e violência. Porém ao retornar para Curitiba em 2005 me deparei com uma cidade cruel, negligente e o mais preocupante, extremamente violente. Durante o tempo em que morei em saõ Paulo, jamais senti o medo de andar nas ruas da forma que sinto morando em Curitiba.
O pior de tudo é que as autoridades desde a policia metropolitana, civil, militar até o governo estadual, demonstram não estarem preocupados com o alarmente aumento na violencia.
Curitiba está se tornando terra sem lei, onde cada um faz o que quer. De cada 10 Curitibanos cerca de 3 a 4 anda possui arma ou até mesmo anda armado.
Os jovens Curitibanos vivem nas ruas e terminais usando drogas e consumindo bebidas alcoolicas, sem falar na quantidade de estrupos que em são José dos Pinhais é recorde.
O mais alarmante é que a população acha que não tem mais jeito e que a tendência é piorar ainda mais.
Uma pena, par auma cidade que se gaba em ser ecológica, modelo, de todos, européia, porém a realidade é outra.
abçs…
Edenilson Guedes
— Edenilson Guedes 18/03/09, às 6:42 pmé dificil, mais todas as capitais são assim ou tendem a ficar, é dificil em um país como o brasil cidades grandes serem tranquilas, mas acho que tambem depende muito da hora ou até mesmo do lugar, ja fiquei uns tempos em São Paulo, realmente não me senti ameaçado ou coisa do tipo, e andei sozinho. eu e minha mãe queremos nos mudar talvez para Curitiba mas não sei, fico meio retraido, com medo da violencia, sempre falam que la é um lugar de dar gosto, totalmente limpa e tal, mas… sei la, só Deus sabe mesmo. mas nada como conferir a cidade antes de mudar.
— Bruno Henrique 19/05/09, às 10:11 pmInfelizmente isso tudo começou em 1988 com a promulgação da constituição que deu brechas e facilitações para bandidos.
— Marcos 7/01/10, às 12:47 pmJuntando tudo isso com a conivencia desses governos de esquerda que temos no Brasil o resultado é esse.